Posted by: remalta on: August 11, 2009
Assim que amanheceu, Theodor acordou. Comeu o resto de sua gaivota fria e se pos a andar novamente. Andou por incontáveis quilômetros, a floresta parecia não acabar nunca, e quando o meio-dia se aproximava Theodor tornou a ficar com fome novamente, mas desta vez teria que caçar se quisesse comer algo além de vegetais.
Olhou ao redor à procura de algum animal pequeno que pudesse facilmente ser caçado, ele já havia visto algumas espécies de roedores rondando pela floresta. Continuou caminhando por um tempo e finalmente avistou um coelho em cima de uma árvore.
Confuso, Theo olhou novamente para o coelho, e confirmou o que havia visto. Ele estava mesmo em cima de uma árvore, e realmente era um coelho normal, branco, com aqueles olhinhos vermelhos e tudo. Puxou a espada de dentro da bainha para acabar com o coelhinho em um golpe só, quando viu algo inesperado: os olhos do pequeno e inofensivo coelho mudaram do vermelho para o azul, um azul gélido e cruel. Por um momento Theodor hesitou, e foi neste mesmo momento em que o coelho guinchou alto e o atacou com seus dentes e garras, arranhando-o no rosto e no peito. Theodor começou a golpeá-lo cegamente com a espada, mas o coelho, que não era bobo nem nada, subiu correndo para os galhos superiores da árvore, aonde Theo não poderia alcançá-lo sem correr o risco de ser atacado novamente, e teve de se contentar com o olhar de desdém que o coelho lhe lançava do alto da árvore.
Theodor não podia acreditar no que havia acontecido. Estava todo machucado, mordido e arranhado, e fora derrotado por um coelho, um simples coelho do mato que o humilhara e depois rira dele, ou pelo menos Theo interpretou deste jeito. Odiando aquele lugar e ainda com fome, ele voltou a caminhar, desta vez com mais determinação ainda do que antes.
Theo passou as próximas horas resmungando consigo mesmo e duvidando de sua capacidade de salvar a princesa, não conseguia entender como ele havia sido escolhido para salvá-la já que nem um maldito de um coelho ele conseguia matar. Por fim, acabou achando alguns frutos comestíveis e seu humor melhorou um pouco.
No fim da tarde, Theodor finalmente chegou ao fim da floresta incessante. Ele saiu da floresta para se deparar com a cena mais bonita que havia visto em toda a sua vida. Ele se encontrava em um gigante vale ensolarado, com árvores coloridas e animais correndo por todo o lado, todo tipo de animal que Theo conhecia e que não conhecia, convivendo em perfeita harmonia.
Embriagado pela alegria do vale, Theodor começou brincar junto com macacos voadores que riam e pregavam peças uns nos outros sem parar, pulou e cantou com lobos tocadores de flauta e até os peixes davam saltinhos de felicidade de dentro do lago.
O lago. Até então Theo não havia reparado que no centro do vale havia um grande lago, e, flutuando acima dele, havia uma esfera gigante com uma princesa adormecida em seu interior.
Como se tivesse acordado de um sonho, Theodor se lembrou de sua missão e saiu correndo com a espada em punho em direção à princesa, deixando cair todos seus pertences no caminho. Mergulhou na água e para sua surpresa a água estava anormalmente quente, como se alguém tivesse ligado um aquecedor a ela. Nadou rápido como nunca, estava quase na metade do caminho quando avistou a sombra de algo muito, muito grande. Virou a cabeça lentamente para o lado e pode ver de relance um rabo enorme, e soube que havia algo assustador atrás dele, preparado para atacá-lo a qualquer minuto.
Theo se lembrou da poção que a feiticeira Hexe havia lhe dado, mas então se deu conta de que só havia trazido a espada consigo, teria de lutar por sua vida e pela da princesa sem ajuda nenhuma. Theo virou-se e deu de cara com uma espécie de monstro gigante, parecido com um dragão, só que este não voava como os dragões que ele tanto ouvira em histórias fantásticas, ele era um dragão aquático.
Imediatamente, Theo começou a nadar para longe, e o dragão o seguiu. Theodor era um bom nadador, estava acostumado com o ambiente, mas nunca conseguiria fugir ou derrotar aquele dragão sem oxigênio, sabia que precisava fazer algo a respeito.
Ainda fugindo do dragão, Theodor começou a nadar em zigue-zague, em uma dança sem sentido, para confundir o dragão e atraí-lo ainda mais. Em uma manobra arriscada, conseguiu enganá-lo e passou por baixo do dragão, atraindo ele para longe da princesa, em direção à margem. Uma vez perto da margem, Theodor saiu correndo da água, então o dragão hesitou e deu meia-volta, pretendendo voltar para o fundo do lago. Em um último esforço para atraí-lo para a terra, Theodor correu em direção ao dragão e com sua espada decepou a ponta de seu rabo.
Seu plano dera certo. Furioso, o dragão voltou-se para encarar Theodor e saiu correndo em direção a ele. Quase conseguiu abocanhar sua cabeça, mas Theodor conseguiu rolar para o lado no último instante. Rolou para o lado errado, pois sentiu uma dor excruciante no peito logo depois e ficou sem ar. Tonto com a rabada que acabara de levar, Theo mal conseguiu se levantar e viu o dragão se virando e inspirando forte, e então percebeu que aquele dragão soltava fogo, por isso a água era tão quente. Agora tudo estaria perdido, em alguns segundos ele seria feito em cinzas e a princesa continuaria em seu sono profundo para sempre.
Sentindo-se inútil e sabendo que aquilo não adiantaria de nada, Theo levantou sua espada contra o fogo, fechou os olhos e esperou ser cremado vivo, porém o calor não veio. Abriu os olhos e viu que a espada estava rebatendo o fogo, deixando-o longe de Theodor e direcionando-o diretamente para o dragão. O dragão parecia ser imune ao fogo, mas aquele fenômeno o deixou atordoado tanto quanto deixara Theodor, e Theodor não hesitaria desta vez, não de novo.
Aproveitando-se da surpresa do dragão, ele baixou a espada e se lançou diretamente para a criatura, com a espada nas duas mãos. Juntando todas suas forças, ele cravou a espada no meio do peito do dragão e arrancou seu coração sem piedade. O dragão cambaleou uma, duas vezes, e então finalmente caiu morto.
Agora já não havia mais animais por perto, todos haviam se escondido durante a luta. O silêncio absoluto reinava sobre o vale, e Theodor fez a única coisa que lhe restava fazer, entrou no lago e voltou a nadar em direção à esfera, sabendo que o único perigo que lhe aguardava agora estava no centro do lago.
Quando chegou ao centro do lago, viu a princesa de perto. Ela era de longe a mulher mais estonteante que Theodor já pusera os olhos. Seus cabelos vermelhos ondulados caiam sobre seu rosto delicado, que revelava uma beleza suprema.
De repente Theodor soube de tudo. Soube que não importava se tivesse de ser aprisionado junto com ela por toda a eternidade, não importava se ele fosse se machucar para salvá-la ou até morrer para isso. Entendeu que não tinha mais medo do que aconteceria de agora em diante, não fazia diferença, pois se desse meia volta, não poderia mais viver de qualquer jeito.
Naquele momento ele soube que a amaria para sempre, e sem pensar mais uma vez, ele estendeu o braço para cima e tocou a esfera.
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Posted by: remalta on: July 27, 2009
Ao chegar ao sopé da montanha, Hexe estava mais uma vez esperando por Theodor, desta vez fora de seu chalé, com um embrulho em suas mãos.
- Isto é uma solução mágica, para você usar em uma situação de extremo perigo. Use-a apenas se correr risco de morte, caso contrário, os efeitos podem ser psicologicamente fatais.
- Psicologicamente fatais? – Perguntou Theodor
- Nem queira saber. – Disse Hexe, rindo.
- Obrigado, feiticeira Hexe. – Agradeceu – Não sei nem como agradecê-la
- Me agradeça trazendo a princesa de volta e nos livrando deste pesadelo. Agora, vá! Vá antes que algum habitante acorde e o veja! Por aqui. – Disse Hexe, mostrando uma passagem escondida no meio das Montanhas – Entre aqui e siga para o Leste, depressa!
Theodor entrou pela passagem estreita que a bruxa lhe mostrara, e imediatamente tudo ficou escuro. Após esperar alguns minutos para que sua vista se acostumasse, nada aconteceu, então ele ajoelhou e seguiu caminho, tateando o chão e as paredes ao seu redor.
Após o que pareceu ser dias (ou quem sabe apenas algumas horas), Theodor esbarrou em algo macio e peludo, que gritou com ele:
- Não olha por onde anda, não? – Disse uma voz feminina.
- Me desculpe, eu não a vi por aí. – Disse Theo. – Eu estava tentando chegar ao outro lado do túnel, mas não consigo enxergar nada.
- Ah, bípede inútil! Vocês nunca conseguem enxergar nada no escuro mesmo, não é? Vou dar um jeito nisto.
Ouviu-se um sibilo baixo, e subitamente começaram a aparecer pequenos pontos de luz nas paredes, iluminando fracamente a criatura em sua frente. Soltando um grito de pavor, Theo percebeu que estava à frente de um felino gigantesco, com grandes olhos brilhantes que o encaravam. O felino, ou melhor, a felina, sorriu e então disse:
- Não se assuste bípede, não poderia fazer mal a você nem se eu quisesse, você não vê que estou cuidando de minha cria? Meu nome é Sater, qual é o seu?
Theodor olhou para baixo e percebeu que Sater estava sentada em cima de algo parecido com feno, e abaixo dela havia milhares de pequenos ovos. Viu também que abaixo do feno havia muitas e muitas cobras, e se afastou um pouco mais.
- Th..The..Theodor. Meu nome é Theodor. Você bota OVOS?
- Mas é claro que sim, de que outro jeito eu poderia ter filhos?
- Uhmm.. Deixa pra lá. Porque há tantas cobras aqui? São venenosas?
- Cobras? – Perguntou Sater, caindo na gargalhada. – Desde quando meus filhotes são cobras? Realmente, em que mundo você vive? Todo mundo sabe que a primeira parte do corpo a surgir é o rabo, você não sabia disso?
- Rabo? Mas onde está a cabeça? Os membros, tudo?
- Eles vêm depois, óbvio. É natural que você não saiba disso se ninguém nunca lhe contou, muitos bípedes não se recordam de seu estágio rabótico, mas eu nunca havia conhecido alguém que não soubesse.
- Bom, na minha terra nós não somos assim, eu já vi bebês nascerem, e eles nascem inteiros. E nós sequer temos rabo.
- Não tem rabo? – Perguntou Sater, incrédula – Mas isso não é possível! Vire-se, deixe-me ver.
- Veja – Disse Theo, virando-se. – Nenhum rabo.
- Mas isso é incrível! Eu nunca havia conhecido um bípede que não possuísse um rabo antes. Ei, espere só um momento, me lembrei de algo.
Sater se levantou um pouco e Theodor pode perceber a imensidão de seu tamanho. Apenas suas patas já ultrapassavam sua altura facilmente. Gemendo baixinho, ela começou a fazer força no estômago e Theo não pode conter um riso. Passado alguns minutos naquela situação constrangedora, Sater botou um ovo, diferente de todos os ovos que Theo havia visto até então. Este era maior, bem maior, e ao invés de ser branco, apresentava uma coloração ouro-cintilante. Theo ficou maravilhado. Sater explicou:
“Este é o meu presente para você, bípede-sem-rabo. Anos atrás, me foi concedida a tarefa de esperar pela pessoa que receberia este presente, e hoje eu a achei. Há muito tempo, fui deixada aqui neste túnel e me foram dadas as seguintes instruções: “Quando um bípede com duas pernas, e apenas duas pernas, passar pelo seu caminho, dê a ele o mais poderoso instrumento de nossa terra, para que assim ele possa se defender de todos os males que encontrar por seu caminho, pois este do qual falamos tem uma tarefa importante a ser realizada, e será responsável pela libertação de todo um povo.” Agora eu entendi o que quiseram dizer com “e apenas duas pernas”. Tanto tempo já se passou que eu havia esquecido minha tarefa. Tome, leve isto consigo, e use-a bem.”
- Mas o que é isto?
- Toque o ovo e verá. Apenas aquele que for merecedor de seu conteúdo poderá abri-lo, caso contrário, você deve retornar pelo caminho em que veio e nunca mais se aventurar por essas terras novamente.
Theodor encarou o ovo ainda coberto de secreções da gata-gigante, muniu-se de coragem e então o tocou. Ao tocá-lo, foi como algo que nunca sentira antes, uma profunda conexão, como se o ovo fizesse parte dele mesmo. O ovo começou a brilhar e girar rapidamente no ar, até que em seu lugar surgiu uma magnífica espada.
A espada era feita do mais duro aço, e seu punho era de ouro, feito para duas mãos, com uma grande gema de rubi no centro. Junto com a espada, também havia a bainha, marrom e dourada, com alguns escritos que Theodor não pode ler, pois estavam em alguma língua que ele não compreendia.
Ele manuseou a espada, estupefato, e então começou a testá-la. Seu peso era perfeito, nem muito leve e nem muito pesada, e seu punho parecia ter sido feito sob medida. Ele a testou com a mão esquerda, com a direita, com ambas as mãos e ela parecia funcionar muito bem em todos os sentidos. Theo nunca havia sido o melhor espadachim do vilarejo, na verdade ele ficava sempre entre os piores, mas ele sabia reconhecer uma boa espada quando a via. E mais, ele sentia que podia fazer qualquer coisa com aquela espada.
- É perfeita – disse ele a Sater. – Nunca havia visto uma espada assim, parece que foi feita exatamente para mim.
- E foi. Há coisas do nosso mundo que você não consegue compreender totalmente Theodor, mas saiba que só você e apenas você tem direito a usar esta espada, é muito importante que você não a deixe cair em mãos erradas, tome muito cuidado em sua jornada. Agora que nos encontramos, estou livre para sair deste lugar. Desejo-lhe toda a sorte do mundo.
- Calma, mas para onde você vai? Para onde eu devo ir?
Sem dizer adeus, Sater engoliu o seu ninho em uma abocanhada só, e saiu correndo para o fim do túnel. Theodor ficou parado, sem saber o que fazer, com uma espada nas mãos. Decidiu que seria prudente continuar sua jornada e assim recomeçou sua caminhada, agora fracamente iluminada pelos pequenos pontos de luz gerados por Sater.
Após um breve período, Theodor começou a ver uma fraca luz em sua frente, estava se aproximando do fim das montanhas. Animou-se para ver o que havia do outro lado, mas ao chegar lá, deparou-se com muita chuva, e tudo o que pode ver eram árvores, milhares delas, até onde sua vista podia alcançar.
Theo presumiu que tivesse que atravessar a densa floresta, e adentrou a mata. No início, achou aquela uma excelente idéia, pois as árvores o protegiam da chuva, e então se lembrou de que estava em um local desconhecido, não sabia qual a sorte de monstros assustadores poderia encontrar ali.
A noite estava caindo, e após andar algumas horas, Theo achou melhor montar acampamento e comer alguma coisa, antes de continuar sua caminhada pela manhã. Encontrou um pedaço de terra mais ou menos protegido da chuva, acendeu uma fogueira e fez um cozido de uma gaivota que havia trazido consigo. Quando se satisfez, guardou um pouco do restante da refeição para o desjejum e então adormeceu quase que instantaneamente, exausto pelas aventuras do dia.
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Posted by: remalta on: May 13, 2009
Era uma vez um menino chamado Theodor, mas todos o chamavam de Theo. Theo vivia no vilarejo de Gewohnheit, situado entre as Montanhas do Norte e os Mares do Sul, o único pedaço de mundo explorado pela sua raça até então. Desde pequenino, Theodor sempre perguntava às pessoas o que havia além das Montanhas, mas ninguém nunca soube ou quis dizer a ele.
Theo adorava nadar no lago da cidade. Em seu 9º aniversário, Theo resolveu que daria uma festa no lago, para poder nadar e se divertir com toda a sua turma. Ele tinha um amigo muito travesso, chamado Munge, daqueles que sempre aprontam na primeira oportunidade, e não foi diferente na festa de aniversário.
Munge havia trazido consigo um vidrinho que ele havia roubado da feiticeira local, Zauberin, cujo conteúdo ele desconhecia. Quando ninguém estava olhando, Munge abriu o pequeno vidro e o despejou no lago. Nada aconteceu pelos próximos minutos, e Munge ficou decepcionado.
De repente, conforme as crianças começavam a se mexer na água, uma espessa espuma começou a se formar na superfície do rio, e todos começaram tentar sair da água, assustados. Os pais das crianças se assustaram igualmente, correndo para salvar seus filhos o mais rápido possível daquele fenômeno que estava acontecendo na água.
Quando todos estavam a salvo, a água começou a borbulhar suavemente. Todos olhavam para o centro do lago, estupefatos, não sabendo se fugiam ou se ficavam para ver o que ia acontecer. A tensão aumentou conforme o tempo passava. Algumas pessoas haviam fugido, mas Theo e sua família foram vencidos pela curiosidade.
Theo estava com a expectativa de que um monstro apareceria a qualquer momento, mas o que aconteceu foi algo completamente diferente. Pequenas formas arredondadas e transparentes começaram a surgir lentamente e subir para o céu. Era a coisa mais bonita que Theo já havia visto em toda a sua vida. Maravilhado, ele chegou mais perto e viu que dentro dessas tais bolas eram refletidas todas as cores do arco-íris ao mesmo tempo. Ele estava prestes a tocar na bonita bola, quando seu pai o agarrou por trás e correu com ele mata adentro. Theo protestou, debatendo-se insistentemente para voltar, mas seu pai, com lágrimas de fúria nos olhos, não o deixou voltar ao chão até que eles voltassem para casa.
Os dias, meses e anos se passaram e Theodor não conseguia se esquecer daquele dia marcante. Toda vez que ele tentava falar sobre isso com algum habitante do vilarejo, as pessoas ficavam horrorizadas e se afastavam dele. Seus pais o proibiam de falar sobre o assunto e nunca respondiam a nenhuma de suas perguntas. E assim foi, até que Theo atingiu a maioridade, com 16 anos.
Livre para fazer o que quisesse, Theodor decidiu visitar a feiticeira que morava no sopé das Montanhas do Norte, chamada Hexe, filha de Zauberin. Logo após o incidente ocorrido no Lago, Zauberin foi enforcada e depois esquartejada em praça pública, para depois ter os seus restos queimados em uma fogueira. Acredita-se que esse seja o único meio eficiente de matar verdadeiramente uma feiticeira.
Ao chegar à cabana da feiticeira, Theodor pode sentir um forte cheiro de temperos montanheses misturado com cheiro de carcaças de animais. Estremecendo, mas tentando manter a compostura, ele bateu na porta.
- Entre, Theodor. – Disse uma voz distante, quase como um eco. – Eu estava me perguntando quando você viria me visitar.
- Como você sabia que eu iria lhe visitar, feiticeira? – Perguntou Theo, inspirando coragem e determinação.
- Eu li o seu futuro nas estrelas, e as estrelas raramente mentem. Só quando elas estão de mau humor, mas o humor delas geralmente é bom. Agora, temos muito que conversar. Presumo que você queira saber sobre a minha pobre mãe e sobre a história do lago.
- Sim. – Assentiu Theo. – Você pode me dizer o que aconteceu no lago, sete anos atrás?
- Posso, mas o que eu vou lhe dizer não poderá ser repetido a mais ninguém. – Disse Hexe.
“Há 15 anos, quando você tinha apenas um ano, a filha do Rei Edel II foi raptada ao nascer. Seu nome era Awal, e era a última esperança do rei em ter um herdeiro, pois ele estava em seu leito de morte. Uma bruxa vinda dos Mares do Sul a raptou e a aprisionou dentro de uma esfera parecida com as que você viu surgir no lago. A terrível bruxa a aprisionou dentro da esfera e a escondeu em algum lugar além-montanha, terra aonde habitam monstros terríveis. Além disso, a bruxa disse ao povo que quem quer que fosse resgatar a princesa escondida, nunca conseguiria fazê-lo, pois ao tocar na esfera qualquer pessoa seria sugada para o seu interior e confinada a viver lá para sempre. Rumores surgiram de que o mandante do rapto da princesa foi o próximo herdeiro legítimo do trono, primo de Edel e nosso atual rei, Verdorben, mas ninguém ousou fazer tal acusação, devido à natureza cruel que todos nós sabemos que Verdorben possui.”
- Mas isso é horrível! – Disse Theodor. – Quer dizer então que há uma princesa escondida em algum lugar atrás destas montanhas e ninguém se deu ao trabalho de procurá-la? Se ela voltasse, poderia tomar o trono de Verdorben e seus soldados malignos!
- Poderia meu sábio jovem, mas ninguém sabe ao certo o paradeiro da princesa, não se sabe nem se ela está viva, ela poderia estar em qualquer lugar depois das montanhas. E mesmo se achassem Awal viva, não conseguiriam trazer ela de volta sem condenarem a si mesmos.
- E quanto a sua mãe? Por que ela foi enforcada? Como aconteceu o fenômeno do lago?
- Você tem muitas perguntas, menino Theodor, e faz bem ao querer sabê-las. Minha mãe, Zauberin, foi enforcada por ser injustamente acusada de ter feito as esferas aparecerem no Lago. Ela possuía sim a substância capaz de criar as esferas, mas não foi ela que a despejou no Lago, foi um colega seu, chamado Munge.
“Munge tinha apenas oito anos na época e não poderia nem imaginar o que ele estava fazendo e que tipo de substância ele havia roubado dos suprimentos de minha mãe. Ele pensou que ninguém havia percebido a sua entrada na cabana, mas eu o tinha visto naquele dia. Depois que percebi que ele havia roubado a substância chamada Seife, contei a verdade à minha mãe, mas ela preferiu ser culpada pelo ato a denunciar um pobre garotinho. Um ato nobre, porém trágico.” – Hexe suspirou, perdida em meio às lembranças causadas pela dor da perda de sua mãe. – Suponho que você também queira saber o porquê de ninguém nunca ter te contado sobre a princesa?
- Sim, eu realmente gostaria de saber – Theodor disse.
“Quando o rei Verdorben reinvidicou o trono para si, ele proibiu todos os habitantes de Gewohnheit de tocarem no nome de Awal ou qualquer coisa relacionada a ele. Qualquer pessoa que o fizesse, receberia a pena de morte instantaneamente, e é por isso que ninguém, nem mesmo os seus pais, têm coragem para lhe contar tudo isso, todos temem a falta de compaixão do rei.”
- Então você não teme o rei?
Hexe soltou uma risada estridente e ao mesmo tempo assustadora, mostrando uma fileira de dentes carcomidos pelo tempo.
- Chegará o dia em que o rei há de temer os valentes. Não, eu não temo Verdorben. Ele pensa que eu sou apenas uma louca que vive em meio ao mato, mas ele não conhece o meu grande trunfo… Você.
- Como assim, eu? – Perguntou Theo, incrédulo.
- Você está destinado a procurar a princesa e a salvá-la da esfera de Seife. Depois, traga-a de volta à sua terra, aonde ela terá de retomar o seu trono por direito. Este é o seu destino Theodor, e não há como escapar dele.
- Se estou destinado a realizar este feito, então o farei de bom grado. Obrigado, feiticeira Hexe, por ter respondido a todas as minhas perguntas. Partirei amanhã na primeira hora.
Theodor partiu muito antes do nascer do Sol, antes de qualquer pessoa em toda Gewohnheit levantar. Ao chegar às Montanhas do Norte, subiu uma pedra e deu uma última olhada para o lugar que ele chamava de lar, sabendo que não seria o mesmo quando ele voltasse. Se ele voltasse.
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Posted by: remalta on: March 31, 2009
PUTA DA VIDA.
Esse é um adjetivo mais do que cabível para ilustrar o humor dela de hoje. Achei válido. Além de ela estar puta da vida, ela não sabe por que está puta da vida e isso a deixa mais puta da vida ainda. Entende?
É um daqueles dias como muitos outros, daqueles que seria melhor ela não ter saído da cama. Um dia inútil que ela percebe que só faz coisa inútil e que tudo o que ela faz também é inútil para outras pessoas inúteis. Inútil, não?
O que mais a intriga é que hoje aconteceram coisas boas. Por exemplo, hoje ela conheceu uma pessoa que ela se deu super bem. Tá ok, não é muuuuito difícil ela se dar super bem com alguém, mas ela se deu super bem acima da média, então isso a deixou feliz. Outra coisa: ela voltou para casa em tempo recorde! O ônibus vazio, e ela chegou em sua casa em meia hora, isso nunca tinha acontecido! Seria motivo pra ficar feliz pro resto do mês, mas não. Não ficou.
Chegou em casa, e aquela mesma coisa inútil de sempre. Comida (tentativa de burritos no pão de forma). Banho (cansada de tomar o mesmo banho igual todo dia, acho que ela pensa em começar a mudar a ordem, passar condicionador antes do xampoo pra acabar com essa rotina ridícula). Livro. (Até o coitado do livro não se salvou hoje de sua implicância).
Nada pra ver na TV. Comeu um suspiro. Não ficou com vontade de comer outro. Foi brincar com os cães, mas levou uma mordida e sangrou o dedo. Foi lavar. Não voltou mais. Ouviu música, mas enjoou de todas. Odeia seu MSN e o suspiro e tudo mais. Ninguém com quem falar. Nada pra fazer. De novo, PUTA DA VIDA.
Deita, com sono, e não dorme. Por quê? Porque esta com taquicardia. E por que o coração incomoda tanto? Porque está puta da vida! E porque está puta da vida? Não sabe dizer! Ela gostaria de chorar e não consegue. Não ajuda muito. Será que é porque hoje a temakeria estava em reforma? Duvido. Será que é porque ela não gosta muito do seu trabalho? Se fosse por isso ela ficaria assim todos os dias de sua vida.
Mas hoje o céu não estava bonito como nos outros dias, e o vento na cara não a agradou tanto. A mala pareceu mais pesada do que nunca, apesar de ter menos coisa do que o normal. E a menina que gosta de fingir que anda de montanha russa no ônibus sentou de cara emburrada e não sorriu para o motorista.
Posted by: remalta on: December 22, 2008
Dizem que a primeira paixão a gente nunca esquece, mas esqueceram de mencionar que ela não precisa necessariamente ser um alguém. Eu nem lembro mais quem foi minha primeira paixão, se foi meu primeiro namorado, ou o meu primeiro beijo ou até aquele menino bonitinho que sentava ao meu lado no pré.
A primeira vez que eu me apaixonei não foi por uma pessoa. Não foi por um lugar, por um objeto, nem por um animal. A primeira vez que eu me apaixonei foi por uma história.
Se eu me lembro bem, foi no dia 2 de dezembro de 2001, eu tinha 12 anos. Eu tinha um forte preconceito contra a história, todo mundo sempre falava disso, mas eu nem queria saber, sempre odiei “modinha”. Pensava que fosse ser uma moda passageira, mas o que aconteceu foi que nesse dia minha vida mudou, o dia em que eu fui ver o filme daquela tal história que eu ainda não conhecia.
Esse filme era Harry Potter.
Depois que eu assisti ao filme, eu me senti diferente (não, eu não descobri que era bruxa). Não conseguia parar de pensar nisso, e naquela noite, e em todas as noites depois dessa, eu sonhei com aquele novo mundo durante horas. No dia seguinte, eu fui ao cinema vê-lo de novo.
Os dois dias que se passaram foram muito estranhos para mim. Eu estava vivendo em um mundo totalmente novo, que eu ansiava por conhecer, desejava do fundo do coração que existisse, mas que eu sabia não existir. Eu nunca me iludi tanto ao ponto de acreditar realmente que aquilo era verdade, que existia toda aquela história de bruxos e bruxas, mas se alguém naquele momento desejava que isso acontecesse, aquele alguém era eu.
Confusa e imatura como eu era (ou sou), acabei me confundindo. Eu sentia algo forte dentro de mim, algo poderoso, e aquilo só poderia ser amor. O alvo do amor é que foi o erro, eu pensei estar apaixonada por Daniel Radcliffe, o ator que faz o Harry Potter nos filmes.
Eu sempre achei ridículas essas meninas que veneram os artistas, que choram por eles, que vão aos shows, desmaiam de emoção e etc, não podia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo, mas é incrível como sempre conseguimos arranjar desculpas para nós mesmo nesses momentos, então eu decidi que aquilo era algo diferente das outras pessoas e assim me permiti fazer o mesmo.
Os próximos dois meses foram os mais surreais da minha vida. Por um lado, eu estava de férias, minhas primeiras férias com meus pais separados, com o novo namorado da minha mãe e com a minha irmã namorando sério pela primeira vez. Eu me sentia sozinha, triste e injustiçada. Por outro lado, eu não estava nem um pouco sozinha, eu tinha o Danny comigo.
Ok, aqui é a parte que todo mundo fica sabendo o grau de loucura que esta pessoa que aqui vos fala possui.
Eu nunca tive amigos imaginários, ou melhor, nunca tive amigos realmente imaginários, porque eles sempre existiram. Não era ninguém que eu inventei e acreditava que estava ali, era sempre algum colega de classe ou alguém que eu desejava conhecer melhor, então eu simplesmente inventava que a pessoa estava ali comigo e passava horas conversando com ela. E eu não sei por que este parágrafo inteiro foi no passado sendo que eu faço isso até hoje.
É fácil imaginar que tem alguém com você e que você conversa com a pessoa, o difícil é conciliar o real com o imaginário, e eu sou praticamente profissional nisso, quer dizer, se tivesse um campeonato de conciliação real-imaginário eu seria a campeã mundial certeza.
Campeonatos imaginários à parte, já não é difícil adivinhar como eu passei os dois meses seguintes. O Danny era meu companheiro, ele ia ao shopping comigo, ele lia comigo, ficava no computador comigo, e quando eu fui passar um mês na praia, ele foi comigo. Além disso, ele conversava com a minha mãe, com o namorado dela, íamos ao mar juntos, saíamos de casa pra tomar sorvete juntos, ficávamos horas no quarto conversando escutando a mesma música francesa sem parar.
Além disso, eu chorava. Eu chorava todos os dias por causa dele, ele era a minha única alegria e ainda assim eu tinha que me conformar com o fato de que ele não existia. É claro que ele existia, mas lá longe, na Inglaterra, e na verdade o Daniel que eu conhecia não era o Daniel de verdade, era inventado, então mesmo se eu o conhecesse pessoalmente não seria a mesma coisa, porque não teria mesma a personalidade que eu dei a ele. Eu queria o Danny imaginário.
Agora imagina a situação das pessoas ao meu redor. Uma menina de 12 anos, que passava horas sozinha sem dizer nada a ninguém, e mesmo quando estava com as outras pessoas não parecia prestar a menor atenção em nada. Passava os dias lendo todos os livros do Harry Potter e quando não estava lendo estava escutando aquela maldita música francesa do Rufus Wainwright no quarto. Estava de férias e mesmo assim preferia ficar em casa olhando pro teto do que sair com as amigas pra ir ao shopping ou dormir em suas casas.
Qualquer pessoa que me conhecesse me tomaria por uma menina triste, provavelmente traumatizada pela separação dos pais ou algo assim, mas a verdade é que eu estava feliz, e feliz como nunca. Minha mãe sempre achou que a culpa fosse dos ciúmes que eu supostamente sentia do namorado dela, mas pra ser bem sincera eu nunca senti um pingo de ciúmes, eu realmente gostava dele e queria vê-los juntos, mesmo ela me falando que eu “não tinha coração” e que eu era egoísta demais de não querer que ela fosse feliz.
Ah mãe, se você ao menos soubesse o que se passava em meu coração! Mas eu ia falar o que pra ela? “Ah não mãe, relaxa, eu estou assim esquisita porque eu estou apaixonada pelo meu amigo imaginário!” Aí era pedir pra ser internada num manicômio.
Como eu estava sofrendo por uma coisa que eu mesma criei? Podem me chamar de louca, mas eu realmente me diverti naquelas férias, nem que fosse com um amor imaginário/comigo mesma.
Para a melhoria de minha sanidade mental, esse amor só durou até o início das aulas, quando um menino novo entrou na escola. Eu, já cansada de viver em dois mundos, dei graças ao bom senhor.
Desde lá, eu mudei muito em muitos aspectos e nem tanto em outros (amigos imaginários aí vou eu), e não sei nada sobre o Daniel a não ser dos recentes boatos de seu suspeito homossexualismo, que ele atua nu numa peça da Broadway chamada Equus e que ele quer parar de fumar e não consegue. Incrível pensar que aquele menininho de bochechas salientes de 2001 hoje em dia já é um homem crescido.
Com o passar dos anos eu fui acompanhando toda a saga Harry Potter fielmente. Nunca me vesti de aluna de Hogwarts e fiquei horas na fila do cinema pra ser a primeira a entrar, também não participei de campeonatos nas livrarias pra ver quem termina de ler o livro primeiro, essas coisas me dão um pouco de vergonha alheia. Mas mesmo assim, continuei fascinada pelos livros como ninguém, do meu próprio jeito.
Toda aquela euforia que eu senti na primeira vez que eu vi o filme eu ainda sinto, sendo com os filmes, com os livros ou a simples menção do nome Harry Potter. Se alguém começa a falar de Harry Potter eu sou a primeira a começar a discutir e me empolgo como em nenhum outro assunto.
Depois de muito tempo eu percebi que não tinha me apaixonado por uma pessoa, e sim por uma história. Se tiver que me apaixonar por alguém, que seja a J.K.Rowling, porque a mulher é sensacional, ela simplesmente despertou em mim o gosto pela leitura. Se não fosse por ela, eu não sei se teria o hábito de ler livros hoje em dia, se não fosse por ela, eu não sei se eu teria o sonho de me tornar escritora.
Essa mulher mudou não só a minha vida como provavelmente a de milhares de pessoas. Ela não criou só um herói, um personagem que todos nós gostaríamos de ser, ela criou uma sociedade inteira, com regras, leis, personalidades e personagens ímpares. Se há alguém que eu admiro no mundo esse alguém é ela com certeza.
Além disso, ela criou uma geração nova, uma geração de crianças que cresceram ouvindo suas histórias, e que como ela, acreditam no amor, na amizade e na lealdade acima de tudo. Crianças que como eu, foram tocadas lá no fundo de seus corações por uma história fantástica que todos nós amamos e respeitamos, crianças que acreditam em magia, não naquela magia das varinhas de condão, mas na magia que o amor pode trazer às nossas vidas.
Eu já li cada livro pelos menos umas 3 ou 4 vezes e simplesmente não me canso de lê-los toda vez. Sendo eu uma pessoa que canso rapidamente das coisas, isso é realmente um fato inédito.
A idéia inicial deste texto era escrever sobre o poder dos livros e comparar Harry Potter a Jesus. Sim, porque eu acredito que a Bíblia é uma história e que todo mundo acredita nela simplesmente porque foi a primeira a surgir, já dizia Al Ries. Mas como eu tenho uma habilidade incrível para mudar o foco das coisas, o tema inicial só vai ser discutido agora, na quarta página de texto do Word.
Algum dia uma pessoa extraordinariamente dotada de inteligência teve a idéia de escrever uma história sobre o salvador da humanidade e outras pessoas também dotadas de genialidade viram nessa história uma oportunidade imensa de persuadir as massas, e a Bíblia era o método ideal.
Jesus, um homem simples, de família pobre, tem uma missão na vida que é salvar a humanidade. O moço era bondoso, piedoso, perdoava até as prostitutas e os traidores, e, além disso, faz milagres nas horas vagas. Quem não gostaria de acreditar em uma pessoa assim? Eu gostaria, eu juro que eu gostaria, mas há um caminho extenso entre querer que uma história seja verdade e acreditar que ela realmente é.
Durante muitos anos eu lutei contra meu sentimento de negação perante a Igreja. Eu pensava que algo de ruim iria acontecer comigo se eu admitisse que eu não conseguia acreditar em tudo aquilo, eu tinha medo. Mas já faz muito tempo que eu consegui admitir a mim mesma que sinceramente eu não consigo acreditar, e agora eu admito para quem quiser ouvir também.
Não me leve a mal, eu acho muito bonito muitas coisas que a Igreja faz, tipo caridade, creches, essas coisas, o clima da Igreja, pelo menos a que eu costumava freqüentar, era muito bom. Eu gosto de ir à missa, porque eu gosto da mensagem da Bíblia, de amor, de solidariedade, bondade e perdão, ela é a melhor mensagem de todos os tempos. Mas eu acredito em Jesus tanto quanto eu acredito em Harry Potter ou no Oliver Twist, personagens incríveis que eu realmente queria que existissem, mas que na verdade não existem.
Como diz meu querido namorado, “minha religião é o amor”, e eu realmente acredito nisso. Não me interessa nenhuma religião, não me interessa nem se Deus existe. Se há amor no meio, amor de qualquer tipo, bondade e vontade de melhorar as coisas, eu aprovo. E é exatamente por isso que eu não pertenço a nenhuma religião específica, porque em sua maioria, suas verdadeiras ambições não têm nada a ver com o amor.
Nesse aspecto as religiões orientais são uma ótima saída, mas apesar de eu querer acreditar que temos que atingir o Nirvana ou que vários deuses existam e devo adorá-los, eu me apresento um tanto quanto cética nessas questões.
Sim, eu já perdi o tema central do texto. Eu não sei se é sobre histórias, sobre religiões, sobre insanidades mentais, sobre a J.K.Rowling ou simplesmente sobre nada.
Eu acho que no fundo tudo se resume a crenças. Seja a crença no poder de uma história, no poder de religiões, no poder do amor e da lealdade ou no ceticismo nosso de cada dia.
É também sobre encontrar uma paixão, daquelas que te arrepiam só de pensar. Não importa se é uma pessoa, um objeto, um sentimento ou um lugar, uma paixão que é sua sempre vai ser algo que só você pode sentir, e ninguém mais.
O importante é acreditar. Em qualquer coisa, nem que seja em um lenço de papel sujo, um pedaço de placenta, uma estante de livros velha ou no imperialismo. Não importa o que te faz acordar todos os dias, mas pelo menos, arranje um motivo para sair da cama.
Posted by: remalta on: November 18, 2008
Hoje quando acordei, liguei o computador para ver se tinha algum e-mail importante e depois fui ver as notícias do dia, e li uma notícia chocante, sobre algum cara que tinha sido achado morto no banheiro de uma festa da gv na madrugada deste domingo.
“Ah, mais um cara drogado que morreu de overdose, acontece o tempo todo”, eu pensei, e nem li o resto. Só para depois de várias horas descobrir que não era um simples cara que havia morrido, ele era O cara.
Felipe Bulgarelli de Azevedo Sodré, mais conhecido como Bulga, um cara excepcional. Não, não era meu melhor amigo, eu nem sequer sabia muita coisa sobre a vida dele, mas se tem alguma coisa que eu sei sobre ele, é que ele foi uma das melhores e mais queridas pessoas que eu já conheci.
Eu costumava vê-lo todos os dias, na escola. Desde a primeira série, todos os dias. E em todos esses dias, eu nunca vi ele bravo, sequer de mau humor. Ele tinha muitos amigos, apesar de ser uma das pessoas mais brilhantes de toda a escola. Além de ser popular entre as pessoas, e realmente muito inteligente, o cara era bonito. Quer dizer, ele tinha tudo pra ser uma pessoa arrogante, mas não era.
Já conversamos algumas vezes, mas nunca chegamos a ser amigos, mas mesmo assim, ele me cumprimentava todo dia na escola, toda vez que me via. E não era por obrigação, nem pra ser educado, pra fazer média, ele punha o sorriso mais sincero na cara e vinha todo feliz perguntar como é que eu estava.
Eu sinto saudades de pessoas como ele.
Ninguém sabe como ele morreu ainda, mas é mais do que óbvio que nao foi overdose de nada. Dizem nos jornais que foi um derrame fatal, mas não é muita coincidência ter tido um derrame bem em uma festa quando poderia ter sido em qualquer outra hora, e em qualquer outro lugar? O que me faz pensar que alguém possa ter posto alguma substância na bebida dele que pode ter causado o derrame, mas eu não consigo pensar como alguém poderia desejar uma coisa dessas para ele.
Mas o que mais me choca não são as causas da morte dele, mas sim a injustiça. Assim como eu, todos devem estar se perguntando porque isso aconteceu. Ninguém entende, não faz sentido.
Em um texto anterior, eu mencionei a morte de um menino que eu conhecia que morreu também..só que ele morreu tentando escapar do apartamento dele em uma corda de calças jeans, de tão louco que o cara estava, ele praticamente pediu pra morrer.
Também vi hoje uma notícia que uma pessoa tinha morrido na rave que teve em Itu, a xxxperience, que aliás eu fui à trabalho. Eu nunca havia ido em uma rave, mas já sabia o que esperar. Eu vi tanta gente louca, maconha pros caras era brincadeira. Claro que eu já vi várias drogas e pessoas drogadas na vida, mas nunca em uma quantidade tão grande, eu vi gente cheirando cocaína como se fosse a mesma coisa que seilá, tomar refrigerante.
Aí eu penso, se alguém NÃO merecia morrer, esse alguém era o Bulga. O cara que morreu na rave, se morreu de overdose, praticamente morreu porque quis, dá pra entender. Mas e quando não dá pra entender? E quando o mistério da morte é tão grande que por mais que você tente, nunca conseguirá achar um sentido? O que motiva a família de uma pessoa que morre desse jeito, injustiçada?
Eu não sei, eu só sei que o Bulga era um cara incrível, e que muita gente vai sentir a falta dele. Eu não o vejo há alguns anos, mas só de saber que é uma pessoa boa a menos no mundo, eu fico triste. Tem tantas outras pessoas que a morte significaria uma melhora para o mundo, mas não..morre justo uma pessoa que tornava este mundo um lugar melhor.
Pessoas como ele me dão esperança de que nem tudo está perdido, e tenho certeza que ele causava essa sensação em muitas outras pessoas além de mim, e com muito mais intensidade. Agora a esperança de todas essas pessoas se foi.
Esse texto é uma homenagem ao Bulga, mas mais que isso, é um pedido. Um pedido de que sejamos mais “Bulga” no nosso dia-a-dia, e que criemos filhos para terem pelo menos um terço da bondade e da integridade que ele tinha.
Precisamos de mais Bulgas no mundo, não para substituí-lo, porque substituí-lo seria impossível, mas não podemos perder a esperança que agora está abalada, e nem podemos desacreditar que realmente podemos mudar o mundo.
Com a morte dele eu me senti muito triste, e eu nem o conhecia direito. Não sabia o que o deixava feliz, nem nunca ouvi falar de nenhum problema que ele tinha. Nunca o vi chorar, nunca conversei com ele por mais de meia hora. Eu nem imagino como os amigos e os familiares deles estão se sentindo no momento.
O Bulga nunca realizou um grande feito, não alimentou a África, era um menino comum. Mas o simples sorriso sincero dele já fez vários dos meus dias mais felizes, e eu me sinto feliz de saber que um dia uma pessoa tão boa como ele existiu na face da Terra.
Se a morte dele tem algum sentido, que seja para nos inspirar em sua pessoa e nos motivar para que tornemos o lugar em que vivemos um lugar melhor, nem que seja dando um bom dia animado para alguém que mal conhecemos, como ele fazia comigo.
Obrigada por nos ensinar tantas coisas, e por inspirar tanta gente, mesmo depois de morrer. Você foi e sempre será muito querido por todos nós.
Posted by: remalta on: November 11, 2008
A minha vida inteira eu sempre falei pra todo mundo que não tinha medo de morrer, sempre que o assunto vinha à tona, eu sempre era a corajosa da turma. “Morrer? Ué, acontece com todo mundo, não é mesmo?”
Pura balela.
Eu acho que eu nunca tinha parado realmente pra pensar sobre isso quando eu falava que não tinha medo. É fato que acontece com todo mundo e todo mundo sabe disso, mas não sei se muita gente pára pra pensar: eu vou morrer. Um dia eu vou deixar de enxergar, de sentir, de falar, de me mexer, e todo o resto, porque eu vou morrer.
Eu não sei porque esse ano eu tenho pensado tanto nisso, nunca foi desse jeito. A minha vida inteira eu vivi como se ela fosse eterna, como se a realidade da morte fosse extremamente distante e eu não tivesse que me preocupar com isso agora.
Sempre vivi esperando..esperando por tudo o que eu sempre quis fazer e ainda não fiz. Sempre achei que um dia faria tudo o que já tive vontade, mas a verdade é que eu não vou fazer. Eu não vou dançar bem, eu não vou ser ginasta e eu não vou ser a pessoa mais inteligente do mundo. Eu não vou cantarolar em um lugar qualquer e um olheiro vai me ouvir sem querer e gostar da minha voz (que por sinal é feia) e me chamar pra ser cantora.
Eu não vou fazer nada disso, eu vou é morrer.
Esse não é mais um texto de incentivo a viver a vida intensamente, como todos esses que eu vejo por aí, esse é um texto pé no chão, o primeiro da minha vida.
Não é questão de fazer tudo ao mesmo tempo, o quanto antes puder e uhuuul. É que eu vou morrer. Você vai morrer. Os meus e os seus pais vão morrer, se é que já não morreram. Seus irmãos, cônjuges, e todo mundo que você conhece vai morrer, e seus bichos de estimação também.
Eu não sei se qualquer outra pessoa é capaz de me entender, e de entender o que eu sinto quando eu penso nisso. E não é que eu penso nisso uma vez ao mês, eu penso exatamente todos os dias. É um saco, me incomoda, eu fico triste, eu choro, mas fazer o que? Eu vou morrer de qualquer jeito.
Eu imagino como que vai ser o meu leito de morte. Se eu vou estar num hospital com toda a minha família, se eu vou conseguir dar tchau pra todo mundo ou se vai ser em um acidente inútil e rápido. Por um lado seria bom ser assim rápido, porque não dá nem tempo de pensar na idéia da morte, mas para os outros seria como um choque.
Outro dia morreu um menino que estudava comigo no pré, e da maneira mais imbecil que eu já vi. Todo mundo ficou assustadíssimo, inclusive eu. É incrível como morte precoce assusta as pessoas, mas acontece. As pessoas falam que não é a ordem natural das coisas, morrer o filho antes do pai, mas mesmo assim, acontece. Pode ser que seja injusto, mas de novo, acontece.
Eu já falei pros meus pais que se eu morrer antes deles, eu quero ser enterrada de pijamas. Nada daquela babaquice de por o vestido mais bonito e maquiar o defunto não. Quero ir de pijamas confortáveis e sem maquiagem, assim como se estivesse indo só dormir. E também não quero ninguém chorando por mim o resto da vida, porque já que a pessoa ta viva, então viva né, não adianta nada ficar chorando por alguém morto já que um dia você também vai morrer.
É LÓGICO que isso eu falo pros outros só pra ser mais fácil, porque se uma formiga morre, eu choro o dia todo praticamente. De verdade, uma vez na segunda série mataram uma mariposa no pátio do colégio e eu comecei a chorar, e todo mundo faz piada com isso até hoje. Eu não acho que é nenhuma piada até hoje também.
Eu sei que eu sou exageradamente sensível às vezes, mas eu me pergunto se sou eu que sou sensível ou se são os outros que se esqueceram de como é ser sensível. Claro que não é nada legal viver assombrada pelo dia da morte, mas eu acho que eu prefiro viver assim a não ligar pra mais nada.
Eu não entendo muitas coisas desse mundo. Eu nunca quis ser reconhecida pelo dinheiro, pela fama, por nada disso, eu sempre quis cativar as pessoas com o meu próprio jeito. Eu queria ser um exemplo de pessoa, e não quero que minha casa seja um exemplo de casa ou meu cabelo e minhas roupas sejam um exemplo de cabelo e roupas. Eu nem uso brincos, pelo amor de Deus.
Eu só não sei se eu sou um exemplo de pessoa para os outros ou se eu gosto tanto de ser como eu sou, que eu fico achando que todo mundo gostaria de ser como eu.
Mas isso é só uma opinião minha, uma pessoa que um dia vai morrer.
E eu não quero morrer.
Posted by: remalta on: November 11, 2008
Eu já estive em quase todas as partes do planeta.
Me mudei várias vezes para Londres depois de um acontecimento traumático, para começar uma nova vida. A primeira vez que eu fui para lá, a minha família foi junto, e nós moramos em uma casa linda de colunas. Meu quarto era no sótão, e tinha até aquelas escadinhas pra subir. Na casa da frente, morava Daniel Radcliffe, e fiquei amiga dele e de todos seus amigos. Íamos para a escola juntos toda manhã, e certo dia ele me fez alguma coisa ruim, e a gente brigou. Depois de milhares de pedidos de desculpas, eu o perdoei e fomos felizes para sempre.
Várias outras vezes eu fui para lá, como modelo do Fashion Week, estudante universitária, dançarina de hip hop e cantora.
Normalmente eu começo cantando em um pub escuro no subúrbio, até que as pessoas vão gostando cada vez mais de me ver cantar e o pub fica famoso, trazendo vários músicos para cantar comigo, como Rufus Wainwright e Bryce Avary.
Já cantei também em festival de escola, de faculdade, sempre uma surpresa para as pessoas que me conhecem e não sabiam desse meu lado. O interessante é que na minha banda, todo mundo toca todos os instrumentos e todo mundo canta, durante os shows nós fazemos rodízios. Claro que eu canto a maioria das músicas, porque geralmente eu sou a melhor no vocal, e claro que também eu sou a única menina da banda, porque tenho que ser o centro das atenções.
Eu sou a melhor dançarina de hip hop do momento, e quem me ensinou tudo foi Chris Brown. Com isso, participo de batalhas de hip hop que acontecem nas festas da ESPM ou no Banana’s, e sempre ganho. Já dei show em abertura de economíadas, porque no economíadas sempre tem uma abertura em um ginásio gigantesco, aonde eu danço hip hop, ando de skate, patins, e eu e meus amigos dançamos e cantamos o tempo todo.
Já dei aula de dança e ganhei concursos de dança latina. Já tive participações incríveis em shows do Eminem e do U2 e fiquei tipo melhor amiga deles depois. Não foram poucas as vezes que alguém me ouviu cantar sem querer em uma sala de aula e descobriu q eu tenho a voz mais bonita do mundo. A quadra inteira da ESPM já começou a cantar como num musical e a sala também. Eu sempre tocava guitarra em cima da mesa.
Sou uma ginasta incomparável, já lutei capoeira e fiz um amigo golfinho no mar. Já tive ciúmes de muitas garotas e depois fiquei melhor amiga delas, e me destaco em todos os esportes. Costumo falar com muitos animais e aprender bastante com eles, baleias orcas me entendem como ninguém.
Fui surfista na Austrália, na Califórnia, e humanitária na África. Outro dia mesmo um jovem de uns 17 anos veio querer me assaltar no farol e eu pedi para ele entrar no carro. Surpreso, ele entrou, e eu o levei para meu trabalho no zoológico. Ele nunca tinha ido ao zoológico e como bióloga, expliquei tudo sobre os animais pra ele e ele ficou muito emocionado e aprendeu muito. No final do dia, eu conversei com meu superior e o convenci a deixar o assaltante estudar na nossa faculdade de biologia que ficava dentro do zoológico, contanto que ele trabalhasse na manutenção do local nas horas vagas.
Nada mais legal do que ser um anjo escolhido por Deus. Quando completei 16 anos, os padres do meu colégio me chamaram e me contaram quem eu era, e que eu estava ali porque minha tarefa era destruir o anticristo, que não era nada mais nada menos do que meu namorado. E mais, contaram que ele sabia de tudo isso, mas que sabendo como meu coração era bom, eu não poderia matá-lo se o amasse, e que ele planejava me matar logo logo. A partir daí, entrei em um severo treinamento para dominar minhas habilidades. Aprendi a lutar e aprendi maldições em latim para acabar com meu adversário. O que eu tive mais dificuldade foi em me transformar em anjo, afinal minha aparência humana era só um disfarce, mas com o tempo eu consegui. Um dia, na escola, me descontrolei um pouco e minhas asas sem querer apareceram, e meu namorado viu. Quando ele descobriu, tivemos uma batalha alu-ci-nan-te, e no final eu o derrubei, pronunciei algumas palavras em latim e o mandei para o inferno para sempre.
Fui muito homenageada, andei de Jet Ski Voador, dormi na escola, fiquei presa em lugares com gente que eu não gostava e acabei virando amiga da pessoa, fiz muitas viagens, convenci muitos assassinos a não fazerem o mal apenas pelo uso da palavra, e às vezes bati neles mesmo. Fui também a primeira pessoa do mundo a ganhar um Prêmio Nobel sendo adolescente.
Já fui astronauta, explorei o espaço, e também o fundo do mar. Fiz descobertas importantíssimas para a ciência e o mundo. Acabei com a corrupção e fui um exemplo para as crianças de hoje em dia, trabalho voluntário é uma das coisas que eu mais faço.
Mas como ninguém é de ferro, também sou rica e dinheiro nunca é problema, mas eu ganho ele fazendo coisas que eu gosto. Casei em uma catedral e tive dois filhos, um menino mais velho e uma menina mais nova. Eles se dão super bem, e eu sou a melhor mãe do mundo, ensino aos meus filhos valores, e não deveres.
Minha casa parece uma floresta, eu tenho animais exóticos e animais normais, entre eles cães, gatos, coelhos, tigres brancos, leões, cacatuas e belugas, orcas, golfinhos, pingüins e focas.
Durante toda a minha vida eu sempre fui uma pessoa de respeito, nunca passei por cima de ninguém para conquistar o que tenho, e o amor dos outros é a única coisa que realmente importa para mim (vida real ou vida de pensamento).
Nessa altura aposto que todo mundo já sabe como é que eu faço tudo isso.
É sem nem sair de casa.
Posted by: remalta on: November 11, 2008
Em alguma época da história, foi inventado o tempo. Claro que o tempo sempre existiu, mas a consciência do próprio nem sempre. Os humanos começaram a sentir a necessidade de controlar tudo o que faziam, e atribuíram essa função ao tempo. Com a chegada do tempo, vieram também as obrigações, e com isso, a rotina.
Dia comum de uma pessoa comum: acordar na mesma hora todo dia. Tomar o mesmo café da manhã, o mesmo banho, ler o jornal daquele respectivo dia. Sair de casa para ir para o mesmo lugar, pegar o mesmo trajeto com o mesmo trânsito. Trabalhar na mesma mesa, com o mesmo computador, conversar com as mesmas pessoas sobre os mesmos assuntos chatos e supérfluos, almoçar no mesmo lugar, voltar ao trabalho de novo, e no final do dia pegar o mesmo caminho ao contrário, desta vez com mais trânsito ainda. Chegar em casa, comer, tomar banho, dormir. E ainda se preocupar com quantas horas vai dormir para que no dia seguinte possa repetir a mesma coisa novamente.
Quantas vezes por dia ouvimos ou pensamos coisas como “não vai dar tempo”, ou “é hora do almoço, do jantar, da novela, etc.”? Ou ainda “Já era hora” “Você está atrasado”, e tudo mais? Quantas vezes não nos preocupamos com os milhões de horários, de afazeres, de complicações?
As pessoas são praticamente obrigadas a almoçar entre o meio dia e as duas da tarde, só porque todo mundo faz igual. Comer salada e fazer exercícios só porque faz bem, assistir ao noticiário só para não se passar por ignorante. “Não durma tarde” “Não beba isso” “Não chegue depois da meia noite” “Não admito” “Não deixo” “Não quero” NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO E NÃO!!!!!!!!!!!!
No final das contas, a única coisa que estão querendo nos dizer é: “Não mergulhe muito fundo. Fique no raso, na margem de segurança, veja como aqui é seguro, aqui você não pode se afogar.”
O objetivo deste texto não é ir contra todos os costumes da sociedade, é sobre descobrir uma verdadeira paixão. Algo que te faça mergulhar de cabeça, bem lá no fundo, e não ter medo de se afogar.
Se eu amo tomar sorvete, porque não posso fazê-lo no frio? Se eu me sinto muito mais confortável descalça, porque teria que usar sapatos? Se eu quiser almoçar às três da manhã, o que isso muda? Se eu quiser passar minha vida inteira plantando bananeira, isso muda minha relação com as pessoas ao meu redor? Vão me achar louca e por isso me abandonar? Vão tentar me convencer de que ninguém vive só de plantar bananeiras ao ar livre? Pois eu lhes digo: se plantar bananeiras for minha paixão, bananeiras plantarei.
Todos nós deveríamos agir de acordo com as nossas vontades e não de acordo com um consenso imposto pelo mundo. Não está com sono? Não durma. Está com sono? Durma. Simples assim. Não gosta do seu trabalho? Demita-se, dinheiro só é problema se você lhe der importância. Não, não acho que todos devemos fazer festa nas ruas e vagabundear por aí. O que eu digo é muito mais do que isso, é ser sincero consigo mesmo. Como já disse, não falo de anarquia, falo de paixões com propósitos.
Falo de quebrar a rotina, de dar menos importância a coisas que não deveriam ser tão levadas a sério. Falo de chacoalhar a pessoa ao lado e perguntar se ela realmente está satisfeita com a sua vida de pessoa comum. Se estiver, ótimo, nada melhor do que estar satisfeito. Se não estiver, faça-a a perceber que vida só há uma, e que não adianta ficar esperando algo de extraordinário acontecer sentado em uma cadeira.
E não falo daquela baboseira toda de carpe diem, aproveitar a vida ao máximo, fazer tudo ao mesmo tempo por achar que lhe falta tempo. O tempo é a coisa mais besta que a humanidade inventou. Deveríamos viver de acordo com nós mesmo, e não de acordo com o tempo, seja aproveitando-o ou jogando-o fora, o que mais lhe convier.
Em um resumo simples: Mergulhe em bananeiras. Ter medo de se afogar é inevitável, mas uma vez que você chega ao fundo, será como nada que você já viu antes.